Poema onde assentam o amor e a morte
(Depois da sua partida.)
dentro
de mim o urro
imóvel
como um bicho à espreita
afoga-me
o peito
onde
assentam a morte e o amor
compondo
esta dor que encerra
ante
teu corpo miúdo
meu
luto rouco de fera
o
amor e a morte, no entanto
‒
no canto que entretece
a
lacuna de um tempo sem ti
que
ainda me reste ‒
calam-me
a dor
desinformam
a poesia
impedem
a lucidez
amordaçam
o desespero
reprimem
com o silêncio
a
bruta emoção
que
ocupa a tua ausência
cobre-me
de amor e morte
a
dor
cobrem-me
de morte e amor
lembranças
Quantas
vezes executarei em meu corpo a marcha do teu encantamento?